terça-feira, 7 de outubro de 2014

Criatividade com imaginação: 1.º desafio - lançador: Miguel

Criatividade com imaginação: 1.º desafio - lançador: Miguel: "Foi hoje que me dei conta do charme que a urbanidade Lisboeta oferece, embora antes, de olhos rotineiros, abertos, apressados, nu
Passeio anónima, na intensidade da luz e monumentalidade do Chiado. Desço a Rua Nova do Almada em direção ao Terreiro do Paço. Observo os espaços. Ao fundo a beleza majestosa do Arco da Rua Augusta. A imponência da estátua de D. José. Prossigo envolvida pela estética do lugar. As máscaras são diversas. Multicolores. Umas estáticas. Outras dinâmicas. Os músicos a tocar trompete e violino. Parece-me, que tocam só, para mim. Absorvida pela fragrância refrescante do Tejo, na hora em que hoje passeio, questiono sobre o sentido da minha vida. O meu olhar desvia-se por momentos do pormenor para se concentrar nas expressões dos rostos. Sozinha, no meio da multidão agitada pergunto para mim própria se as pessoas com quem me cruzo se interrogam sobre o sentido das suas próprias vidas. Que tipos de interrogações terão? Serão idênticas às minhas? Que assuntos importantes têm para resolver para estarem tão apressadas? Olho-as com muita atenção. A sua forma é marcada essencialmente pelo movimento incessante. Parecem apressados. Não observam, vagueiam. Têm pressa para quê? Se os questionasse sobre o propósito desse objetivo provavelmente não conseguiria extrair uma resposta inteligível a partir da informação obtida. Sinto que somos incapazes de acabar com o sentimento de vazio, de incompletude. Procuramos um objetivo, na expetativa de um futuro que existe apenas no pensamento. Somos prisioneiros de um passado que já não existe e de um futuro ainda por surgir. Vivencia-se um presente que se evapora em desilusão. Para superar esta conflitualidade procura-se outras ilusões para que o tédio não seja um fim inevitável. Esta é quanto a mim a grande dimensão da liberdade: Criar e sonhar. Absorvida por estes pensamentos nem me apercebi que anoiteceu. Continuei, caminhando silenciosa no som dos meus passos. Porém, olhava ainda atentamente os pormenores. Os sinais luminosos surgiam e permitiam agora, um contraste com a sobriedade e beleza da arquitetura que a urbanidade lisboeta oferece, embora antes, de olhos rotineiros, abertos, apressados, nunca sequer me apercebi…


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